sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pichações Eletrônicas

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pichações Eletrônicas

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

AI! CAI DA TORRE

Eu sou um artista
Rapaz
Com imaginação
Eu sou mais
Que o mero comum
Dos mortais
Abre as asas sobre nós
O pavão místico ocioso
Sob todos os efeitos
Aos quatrocentos ventos
Com o olhar no infinito
Haure a aura luminosa
Diante do espelho goza
Nada lhe falta ao prosa
Ora, as luzes da ribalta
Disso não precisa ele
Tem a sua torre própria
Erigida em marfim
Ai como eu gostaria
De ser tão também assim
Como um biscoito de nata
Numa árvore de Natal
Um brioche na bandeja
Enfeitado com cereja
Um strudel especial
Com chazinho natural
Um sorvete de hortelã
Numa cálida manhã
Um alfajorzinho de leite
Buenairense deleite
Mas quem não é artista
Sofre como condenado
Às grades de Bangu Um
Onde todo dia se come
O rango que o diabo amassou
Sonhando com petit gateau
E profiteroles do amor

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

MELHOR PARA OS FATOS

Abancado, penso à direita na foto, indicador esquerdo apontando pra esquerda, mão direita segurando algo parecido a uma brochura, terno com risca de giz, como manda o figurino da elegância a um Senador da república, gravata vermelha sob o colarinho branco – fica bem assim, Danuza? -, Sérgio Guerra, o presidente do PSDB, o irreverente, segundo Gilberto Freyre, parecia um daqueles usineiros que tocam o negócio com mão de ferro, enquanto leem Manuel Bandeira na rede à sombra dos coqueiros no litoral. A foto, tirada em 5 de novembro de 2009, ilustrava a entrevista de meia página do jornal O Estado de S. Paulo, veículo que já vinha fazendo das tripas coração para empurrar Serra rampa acima e colocar o tucano no Palácio do Planalto. O título, retirado de uma frase do recifense, criado na Zona da Mata pernambucana, dizia: ‘Somos favoritos. Mas a eleição será dura’. Grifei alguns trechos e guardei aquela página A7, afinal, o futuro nem mais ao Papa pertence, como já vimos.

Além do título, três trechos me pareceram especiais, visto que pronunciados pelo grande ‘articulador’, ideologicamente identificado como um político de ‘centro’, ‘uma das cem cabeças mais influentes’ do Congresso Nacional, na avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), criado em 1983.. O primeiro: ‘Ela (Dilma) trabalha com fundamentos autoritários, não consegue produzir nada organizado, tem uma visão preconceituosa e uma cabeça muito atrasada’. O segundo: ‘Terrorismo e mentira. Estamos enfrentando um adversário que não respeita limite, não os considera e que não faz a menor questão de falar a verdade’. O terceiro: ‘Não vamos precisar fazer nenhuma cirurgia nele (José Serra)’.

Durante a campanha, deu no que deu, a começar pelo veto – se podemos acreditar no que sai na imprensa que torce pelo ‘PSDEMB’, perdão pelo neo(fisio)logismo – à presença de Fernando Henrique Cardoso na Convenção do partido, sendo posteriormente obrigado a engolir - e confraternizar com - o tucano-mor. Indispôs-se com a verde Marina, que afinal ajudaria a levar seu chefe ao segundo turno. Partiu de foice em punho, como se estivesse em um sonho diante de um canavial recém-calcinado, contra os institutos de pesquisa e, particularmente, contra o Vox Populi, classificando um resultado - crescimento da candidata do PT – como uma ‘safadeza’. Dizem que tomou um chega pra lá, do chefe, do qual até hoje não se recuperou. Todavia, na função de coordenador da campanha, gerou uma coleção de pérolas políticas capazes de levar a turma do DIAP a repensar as loas. Bom, de volta ao passado do favoritismo, já vimos que a nossa Dilma parece diferente daquela desenhada pelo Guerra, sabemos quem usou e abusou do terrorismo e da mentira na campanha e, quanto à cirurgia no Serra, o verbo era outro: adiantar.

E para fechar a história, lembro de uma crônica de outro pernambucano, Nelson Rodrigues, também do Recife, cujo título é: Pior para os fatos. O inveterado torcedor do fluminense, mais uma vez inconformado com um empate em zero que deu o campeonato ao rival Flamengo, no dia 15 de dezembro de 1963, descreve a maravilha de partida jogada pelo Flu, com um pênalti perdido e uma bola na trave, mas diz que o técnico Flávio Costa não quis ganhar o jogo. Encerra a história dizendo que os fatos não confirmaram a profecia, mas o profeta não se abala e decreta: pior para os fatos. No caso do Sérgio Guerra, os fatos também não confirmaram a profecia e nós, que torcemos pelo time da Dilma, recuperados da ressaca, concluímos tão apaixonadamente quanto o Nelson pelo Flu: melhor para os fatos.