sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pichações Eletrônicas

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PREVISÕES DE A A ZÊ

Aguardente – Boas abrideiras serão lançadas no mercado brasileiro em 2011, com enorme potencial para exportações para a Alemanha, Rússia e Alasca. Surgirá, entretanto, entre os lotes, um inesperado falsificado dando-se como origem um dos mais tradicionais engenhos de Paraty, no Rio de Janeiro. A falsificação será denunciada por um alcoólatra de Copacabana, que irá ao órgão estadual de defesa do consumidor levando a garrafa em cujo rótulo indica-se que a graduação é de 46,2%, quando o correto seria 46,3%. Além de notar a diferença ao beber o precioso líquido, ao consumidor, em luta pelos seus inalienáveis direitos, chamará atenção a inexistência das seguintes observações no rótulo da mamãe-sacode: ‘evite o consumo excessivo de álcool’ e ‘beba com moderação’. Observará, estranhamente, nada constar sobre a ausência de glúten.

No geral, a garrafa de vidro verde, à prova de tombos, a rolha de cortiça, o selo de garantia, sob um plástico transparente, o rótulo e a quantidade, cujos 750 ml preencherão o recipiente até a altura da base do gargalo, todos serão idênticos ao produto original. Até mesmo o registro do produto no Ministério da Agricultura e a Inscrição Estadual parecerão legítimos.

Este será o primeiro grande escândalo do ano em questão. Quem sobreviver às consequências do efeito estufa, aos raios que o parta do sol, infiltrados pelas crateras na camada de ozônio, conseguir ler e entender Gaia – cura para um planeta doente -, do James Lovelock, em cerca de duas horas, verá se tenho ou não razão. Em particular, ao cobrar 1 quilo de alimento não perecível a consulta, na minha tenda piramidal itinerante, e 2 quilos no atendimento em domicílio.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

AI! CAI COM PERNILONGOS


De mansinho
Os pernilonguinhos
Os taradinhos
Saem do ninho
Ou do inferninho
Aos zumbidinhos
Os aladinhos
Alfinetinhos
Os safadinhos
Metem biquinhos
Entre os porinhos
Dos humaninhos
Bem rapidinho
Ficam gordinhos
Esses porquinhos
Saciadinhos
Vão de fininho
De volta ao ninho
Ou ao inferninho
Curtir calminhos
Seus bocadinhos
Hibernandinho
Descuidadinhos
Imprevistinho
Um tabefinho
Um chinelinho
Livro fininho
Um caderninho
Ou um paninho
Achata o zinho
Faz do cheinho
Ex-mosquitinho
Belo pontinho
Ebanozinho
Detalhezinho
Estreladinho
Bem no centrinho
No pastelzinho
Vermelhovinho
Eis o finzinho

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pichações Eletrônicas

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

JEJÉ MANJEDOURA

- Senhor, pelo amor ao Menino Jesus, poderia colaborar com 50 centavos para a independência de um legítimo representante das classes desassistidas?
- Nossa, o senhor usa uma linguagem desconcertante, eu diria mesmo incompatível com os seus andrajos.
- Sou do tempo em que a escola pública era superior à privada.
- Foi até onde?
- Concluí o que era chamado de clássico e parei na porta da faculdade de letras.
- Desistiu do vestibular?
- Nem lhe conto, trata-se de uma longa história.
- Conte-me, conte-me, hoje é antevéspera e já fiz todas as compras que imaginei.
- Muitos ‘gadgets’?
- Desculpe...
- Muitas novidades?
- Nem lhe conto.
- Conte-me, conte-me, tenho todo tempo do mundo e ouvidos carinhosos.
- Entre outras, comprei um celular, que só falta falar, pra minha netinha adorada.
- Que idade tem a princesa?
- Onze meses.
- E já sabe usar um aparelho como esse?
- Ela aprendeu a pronunciar vovô e vovó, agora vou ensinar a discar.
- Os jovens de hoje aprendem tudo numa rapidez meteórica.
- Muito inteligentes, como eles são impressionantes. Mas, voltemos ao começo, deve-me o primeiro capítulo.
- Tem razão. Pois naquela era, falo assim por causa da velocidade em que vivemos, pois bem, naquela era ia lá eu a me inscrever para o vestibular quando fui atropelado por um palhaço, montado em um camelo, que fazia propaganda de um circo que chegara à cidade. Lançado ao chão de paralelepípedos, eu bati com a caixa de pensamento no meio-fio e nunca mais me aprumei.
- Muito grave?
- Enfermaria durante um mês. Depois, a mente começou a capengar e muita gente passou a me considerar um desequilibrado, enfim, um louco, só porque, às vezes, quando o branco era carregado, eu berrava ser algum grande personagem da história. Contudo, ido o acesso, tudo voltava ao normal e a vida seguia. Com o tempo, sem necessidade de camelo, caí na sarjeta, voltando a ser uma pessoa normal, que sabe perfeitamente quem é e o que representa na sociedade.
- Uma história muito triste, pelo visto, ao mesmo tempo que muito linda, afinal, hoje o senhor está aqui como um homem são, perfeitamente integrado à nossa sociedade avançada.
- O senhor acha?
- Tenho certeza. Como é seu nome?
- Cristóvão, embora mais conhecido como Jejá Manjedoura, coisa pespegada por um engraçadinho quando eu me dizia outra pessoa.
- Engraçado, eu diria que seu apelido me faz lembrar d’alguma coisa exótica. Por que será? Bom, deixemos pra lá, preciso caminhar.
- Senhor, e os 50 centavos?
- Seu Jejé, peço-lhe perdão, estou sem troco, sabe como são os tempos modernos, a gente só anda com cartão de crédito, segurança, essas coisas...
- Sem problema, eu tenho a maquininha aqui. Sua bandeira é Visa, Master, American Express ou alguma outra?
- Mas, seria ridículo passar 50 centavos no crédito.
- Nem tanto, o real está quase tão valorizado quanto o dólar.
- Seu Jejé, vamos combinar o seguinte: amanhã é véspera, eu passo novamente por aqui e lhe dou os 50 centavos.
- Combinado, senhor, mas eu acho que o segundo capítulo merece, pelo menos, outros 50 centavos.
- Vou trazer 1 real, mas o último tem que ser bom, senão...
- Ai, meu Deus, o homem quer me crucificar!
- Ah, bem lembrado! Jejé Manjedoura, eu percebi o significado. Até amanhã e afie a língua, pois quero contar sua história pra família na noite de Natal. Vai ser um presente e tanto, além dos normais.
- Veja só, e por apenas 1 mísero real. Espero o senhor aqui, nesse mesmo ponto. Cuidado, quando for sacar o dinheiro no caixa eletrônico. Boa sorte e até amanhã.
- Não vá falhar, hein, amanhã, não aceito desculpas, hein, olhe lá, hein...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pichações Eletrônicas

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

TELEPAPO NATALINO


- Bom dia!
- Bom dia.
- Falo com o senhor Antônio Peçonha?
- Ele.
- Que bom...
- Por que acha isso?
- Sabe, senhor Peçonha, acontece que infelizmente são tantas as ligações que caem em números errados que...
- Certo, moça, vamos ao assunto, uma vez que eu não a conheço.
- Eu sei bastante sobre o senhor.
- Você é detetive particular?
- O senhor é engraçado, antes eu fosse...
- E como descobriu tanto sobre mim?
- Sou do Telemarketing do Banco Ágil e tenho a ficha com toda sua história na tela do meu computador, aqui na minha frente.
- Verdade?
- Teste-me.
- Nome da minha mãe?
- Felicidade Peçonha.
- Local de nascimento?
- Mesa de parto da maternidade Santa Generosa.
- Data?
- No dia 24 de dezembro de 1963.
- Médico?
- Doutor Dino Vicente.
- Enfermeira?
- Olga Marabá.
- Perfeito, dona bisbilhoteira...
- Desculpe, meu nome é Maria Clara.
- Prazer, dona Maria, em que posso ajudar?
- O Banco Ágil escolheu o senhor para participar de uma iniciativa que é um verdadeiro presente de Papai Noel. Uma inovação. Trata-se de um cartão com o qual o senhor nada pode comprar durante o primeiro ano de posse, bem como nada pagará ao banco a título de taxa de aquisição...
- Clara... Prefere que eu a chame de Maria ou Clara?
- Deixo ao seu critério.
- Está bem, Clara, e de que me serve este cartão, no seu entendimento?
- Conforme lhe expliquei, no primeiro ano, pra nada.
- E a partir do segundo ano?
- No segundo, com a sua concordância, nós cancelamos e fim de papo.