- Por que você berra?
- Ai, ai, ai, você está me matando.
- Calma, combinamos que o procedimento seria menos traumático sem anestesia.
- Concordo, mas você é a especialista.
- Alguma coisa deve estar errada.
- Mas, o quê?
- Como diabos é que vou saber?
- Bom, pimenta, na gengiva dos outros, é refresco.
- Parece, meu bem, que seu osso é fraco.
- Como assim?
- Você talvez sofra de osteoporose.
- Mas, eu estou com pouco mais de cinquenta...
- Trata-se de um problema que progride lentamente e, raramente, apresenta sintomas antes que surja algo mais grave como o que, parece, estamos enfrentando espontaneamente no momento.
- E esse sangue todo, meu Deus, já perdi mais do que tenho.
- Amor, não fale besteira, pois se fosse assim já estaria morta.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- E agora, quando poderei tentar novamente o implante desse dente que compõe minha imagem perante o mundo?
- No mínimo, em seis meses, no máximo em um ano.
- Tudo isso?
- É o tempo de cura da osteoporose.
- Esper’aí: eu sempre ouvi dizer que osteoporose não tem cura, que no máximo dá pra retardar o desmanche.
- Isso depende da idade, meu bem. E, no caso dos dentes, a teoria ainda não conseguiu estudar a fundo casos na sua faixa etária.
- No meu caso, a ciência ainda tateia?
- Infelizmente, às cegas.
- Há alguma forma de saber se daqui a um ano meu osso estará no ponto?
- Pediremos uma tomografia computadorizada.
- Mas, eu ouvi dizer que essa coisa pode causar mutações genéticas.
- Bobagem, especulações da ignorância reinante.
- Com a tomografia, terei certeza de que o implante será bem-sucedido?
- Absolutamente.
- E se ela constatar que sofro de osteoporose?
- Na sua idade, minha querida, esse problema é raro.
- Mas, doutora, a senhora falou...
- Sugeri, não falei com convicção.
- Eu não entendo mais nada.
- E não precisa, basta confiar na sua especialista, minha ovelhinha.
- Béééééééééééééééééééééééééééééé...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
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